Um dia eu fui feliz por não saber que nunca conheci a felicidade, como uma ostra eu me tranquei, vivi a vida fechada em mim. Nas piores tempestades eu era lançada de rocha em rocha, sentia o açoite do mar, mas resistia aos temporais mais constantes, queria ter "razões para acreditar", eu precisava me proteger, infelizmente um grão de areia conseguiu atrentrar em minha vida, não veio me fazer feliz, pelo contrário, chegou para trazer mais e mais sofrimento, fechei os olhos e decidi suportar a dor que começou a corroer o meu ser. Um dia decidi abraça-lo como quem perdoa, nessa altura ele já fazia parte de mim... e o tempo passou. As ondas do mar me trouxeram para a margem de uma praia, uma criança me encontrou e me disse o quanto eu era linda.... ri sem que ela percebesse, não queria desiludir a menina, ela me virava de ponta cabeça, eu estava cansada, já na primeira tentativa ela conseguiu me abrir. Quando eu já estava a desfalecer, percebi que dos olhos da menina uma lágrima rolou. Ela não encontrou o meu grão de areia, ela percebeu a cicatriz da dor que envolveu a pérola mais valiosa, o amor. Razões para acreditar. A ostra e o grão de areia...

 

Van Costt.

publicado por Van Costt às 23:40